segunda-feira, 19 de outubro de 2009

A Arte Sempre Viva :: Seja marginal, seja herói!

Morei um ano em Barcelona e viajei bastante. E numa dessas andanças cheguei a Londres e foi dentro do Tate Modern que eu me deparei com uma das instalações que mais me emocionaram nos últimos tempos. Claro que boa parte dessa emoção rolou porque eu estava fora, carente, com saudade, mas tudo isto não tira o mérito da belíssima obra do Hélio Oiticica.

O artista conseguiu recriar um espaço cheio de referências brasileiras e pra quem está longe do país isso emociona muito. Areia branca - porque em Barcelona a areia parece cimento em pó - papagaios enormes, bananeiras vivas, letras de músicas do Caetano pelas paredes. Pode parecer cliché ou um Brasil óbvio, mas naquela tarde londrina, Oiticica me trouxe ao Brasil. Levou-me às lágrimas de saudade. Foi bonito. Foi um sentimento puro.

Quando fiquei sabendo que parte do acervo desse artista tão querido foi queimado, na casa do irmão dele, no Rio, fiquei muito triste. As últimas notícias mostram o grande esforço da família em resgatar as obras. Cerca de 200 desenhos estavam guardados em um gaveteiro de aço resistente ao fogo. Dois computadores, com textos sobre a obra de Hélio Oiticica também não foram destruídos. A família estima que o prejuízo causado pelo incêndio seja de cerca de R$ 500 mil - além é claro do grande prejuizo da cultura brasileira.

Pra quem não sabe, Hélio Oiticica é um dos mais importantes artistas brasileiros das décadas de 50 em diante. Participou do movimento neoconcretista ao lado de nomes como Lígia Clarke, Amílcar de Castro e Ferreira Gullar.

Carioca, Oiticica tem obras expostas em âmbito internacional - como essa que eu vi em Londres. Entre os trabalhos do artista os mais conhecidos estão os parangolés (espécie de capas coloridas, arte para ser vestida) e penetráveis (instalações). É autor da conhecida frase "Seja marginal, seja herói", que escreveu em uma bandeira sobre a foto de um traficante morto publicada em um jornal carioca em 1968, durante a ditadura, e foi um dos grandes inspiradores do movimento tropicalista com sua obra "Tropicália".

De 1970 a 1978, Oiticica viveu em Nova York, onde participou da mostra Information, realizada pelo MoMA.

Em 1981, um ano após a sua morte foi criado no Rio de Janeiro o Projeto Hélio Oiticica, para preservar a obra do artista. A Secretaria Municipal de Cultura do Rio criou o Centro de Artes Hélio Oiticica em 1996. Além de obras do acervo de Oiticica, o espaço promove exposições temporárias de artistas nacionais e estrangeiros.

Quem tiver a oportunidade de conferir uma obra do cara de perto, aproveite! Ah! E depois me conta como foi.

D.

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