segunda-feira, 18 de maio de 2009

Tess internacional: a moda masculina pelo New York Times


Roupa masculina muda e foge do visual adotado por banqueiros.


Desde setembro do ano passado - você sabe, quando a recessão acabou com o chique - a maioria de nós fez uma cuidadosa e dolorosa reavaliação de si e da fatura do cartão de crédito. De extravagâncias ostentadoras como Range Rovers e diamantes a agrados discretos como uma viagem na classe executiva ou doces de café da Starbucks, cada item de nossa lista de luxos passou por uma revisão crítica.

Então você presumiria que o guarda-roupa incessantemente renovado do homem urbano moderno estaria entre as primeiras posições dessa lista. Os chapéus fedoras, os coletes, as camisas listradas, os ternos justos, os jeans de alta qualidade - isso tudo não parece um pouco.. coisa do passado? Bem, não. Parece que eles vão amortecer o outono.

O que foi parar no monte da escória do estilo é o velho terno de três botões: astutamente conservador, excessivamente grande no tamanho e no preço, usado com uma camisa branca e uma gravata de seda larga. Era tudo, como disse o diretor criativo da GQ, Jim Moore, "grande e ousado demais nos lugares errados". Há pouco tempo, o traje retumbava o sucesso de Wall Street. Agora, com o sentimento público contra as instituições financeiras ainda alto, os cabides de belos ternos italianos estão abandonados em lojas ao redor do país.

Enquanto declínios de dois dígitos atingem a maior parte do varejo, uma das poucas boas notícias é também uma das mais surpreendentes. Diferente de todas as recessões dos últimos 100 anos, os números mostram que os homens não estão economizando na compra de roupas tanto quanto as mulheres. Pararam de comprar ternos formais e passaram a substituí-los. "Há homens que chegam dizendo, 'Não quero mais parecer com um banqueiro'", disse Eric Goldstein, dono da Jean Shop, uma loja de jeans de alta qualidade no Meatpacking District. Ele agora está distribuindo conselhos de como parecer um "profissional criativo". O novo visual ainda é profissional o bastante para o trabalho, mesmo para um almoço de negócios. Mas ele é peculiar e descolado o suficiente para sugerir que você não passou a última década descansando na sala dos velhotes, inalando fumaça de charutos e especuladores. É só dar uma olhada nos 25 candidatos da competição online dos "Homens mais bem vestidos" da Esquire ou a capa atual da GQ, com Zac Efron em um terno marinho ornado, camisa azul xadrez de algodão e gravata preta, e você vai entender a idéia. Montado com peças de todas as seções da loja de departamento, esse guarda-roupa ainda sem nome emprega artigos do vestuário esportivo de clube de campo, trajes tradicionais de negócios e os favoritos da hora da folga, como jeans de alta qualidade e tênis alto. O "business casual" é uma designação muito corporativa, mais para cinquentões. Você pode chamá-lo de guarda-roupa de sexta-feira, considerando sua adequação como vestuário para trabalhar na sexta de manhã e depois sair à noite. "O terno do banqueiro está definitivamente morto", disse Euan Rellie, um banqueiro de investimentos em Nova York. A incerteza do mercado, Rellie disse, invalidou algumas antigas regras de como se vestir. "Costumava-se usar um uniforme para trabalhar com o intuito de conseguir certa autoridade, mas isso não necessariamente funciona agora. Estava em uma reunião outro dia com cinco pessoas e todas estavam vestidas completamente diferente. E como não há mais um dress code, você precisa pensar no que vestir." O sexta-feira masculino tem muitas escolhas. O visual para o qual ele gravitou não é novo em si; ele representa um refinamento das tendências que os homens adquiriram nos últimos três ou quatro anos. Ternos justos. Camisas de algodão Oxford. Gravatas de lã finas. Cardigãs leves. Tecido anarruga. Tecido de algodão madras. "A moda não parou este ano, e não mudou", disse Tommy Fazio, diretor de moda masculina da Bergdorf Goodman. "É o arrumadinho chique que esses caras têm curtido, e eles estão refinando isso, com o tecido madras, a calça caqui e a jaqueta de algodão certos." Ou, mais emblematicamente, a camisa xadrez certa. Da Brooks Brothers à Thom Browne (onde a GQ conseguiu o visual de Efron para a capa), o bom e velho xadrez é um sucesso. Em ambas as lojas, estilos esportivos, mas elegantes - listras discretas e xadrez básico -, aumentaram as vendas de camisas sociais ao longo do ano passado. A razão é simples, disse Louis Amendola, chefe de mercadorias da Brooks. Essas camisas parecem vistosas, mas são apropriadas para o trabalho com ou sem gravata. Amendola ecoa as palavras da assessoria de imprensa da Prada, Gucci, Barneys New York, Bergdorf Goodman e Paul Stuart, que confirmam que os negócios da moda masculina têm se saído melhor que os da moda feminina. Segundo o Grupo NPD, que monitora as vendas do varejo, a comparação dos seis meses anteriores a 29 de fevereiro de 2008 e 28 de fevereiro de 2009 revela que as vendas de roupas masculinas com preços superiores a US$ 100 subiram 4,3%. É um número surpreendente considerando a anemia geral do varejo. "Isso é diferente de tudo já visto antes", disse Marshal Cohen, analista-chefe da NPD, que em 32 anos de varejo já viu muitos altos e baixos. "Tradicionalmente, a moda masculina é a primeira categoria a afundar em tempos difíceis. Desta vez, os homens olharam para a crise e disseram, 'Tenho que projetar uma imagem, encontrar maneiras de competir.'" E considerando que tanto os homens em geral quanto os homens acima dos 40 foram desproporcionalmente atingidos pelo desemprego nos últimos oito meses, um visual mais jovem oferece uma melhor chance na competição do que o apego a maneiras antigas de pensar, ou vestir. "O visual chato está morto", disse Eric Blumencranz, corretor de seguros de Manhattan, que fazia compras na Bergdorf no fim de semana passado. "Costumava usar uma camisa branca simples. Agora estou usando listras e xadrez, e gravatas que são mais divertidas também." Mas, ele observou, a adequação vem primeiro. "É preciso ser profissional, com um toque de estilo", ele disse. "Você não pode chegar com uma camisa pólo velha e um jeans rasgado." Como de costume, tudo se resume a atitude. "Ainda há tanta incerteza na economia que é difícil saber qual postura assumir", disse Jaime Wolf, advogado de mídia de Manhattan. "É mais ou menos o mesmo com o que você veste para trabalhar. Sinto que a melhor atitude agora é ser cautelosamente otimista e você poderia dizer que é essa a maneira com que tenho me vestido." Para Wolf, a confiança qualificada significa um blazer azul ou um sweater em gola V, calças bem cortadas e uma camisa e gravata discretas. "Não é o otimismo estrondoso de um terno social de negócios, mas não é o desleixo apocalíptico de calças caqui e uma camisa pólo." Estranhamente, pode parecer tolice mudar seu estilo em meio a tantas preocupações urgentes, especialmente quando vestir um terno e uma camisa branca é muito mais fácil do que tentar encontrar algo casual e elegante, ao mesmo tempo esportivo e profissional. Mesmo assim, se uma mudança de guarda-roupa é tudo que você precisa, você não está indo tão mal.


Tradução: Amy Traduções
Foto: Reprodução, terno Armani
Fonte: Domingo, 17 de maio de 2009, 20h21 - The New York Times

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